um pouco de mim

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não gosta de praia. ouve yann tiersen quando sozinha quer se sentir. metida a artista e frustrada estilista. sente-se à vontade com letras minúsculas. desejo? ser dona das palavras.

sábado, 8 de agosto de 2009

aprendi

que pinot noir vai bem com feijoada.

e que a gente precisa estar na frente sempre.
antes que a gente enferruje sem perceber e caia na obsolência pra sempre.

essa semana duvidaram da existência da palavra 'odioso'.
respondi ' - sim, ela existe e eu uso muito.'

depois me pediram pra pensar em tudo o que eu ouço e que não faz bem.
pensei primeiro no 'odioso'.
justamente o que eu repito sem pensar.

mamis volta hoje. duas semanas de necessária solidão.
fez muito bem. estar em silêncio é um estado de espírito.
preciso praticá-lo mais.

e olho pras minhas fotos, todas odiosas.
vontade de fazer alguma coisa agora que não sei o que é.
sempre tenho vontade de alguma coisa que foge do meu conhecimento.

comprei canetas e canetinhas essa semana.
pra desenhar mais. estou enferrujada, meu traço anda tremido.
adoro canetinhas novas

e hoje, nada de social em vista.
vou praticar o meu traço.
a não ser que a oportunidade bata na porta, me chamando pra sair.
(troco qualquer canetinha por um papo de boteco)


ainda são 16h27

domingo, 2 de agosto de 2009

na voz de oswaldo montenegro, anoitece

Se tu falas muitas palavras sutis
Se gostas de senhas, sussurros ardís
A lei tem ouvidos pra te delatar
Nas pedras do teu próprio lar

Se trazes no bolso a contravenção
Muambas, baganas e nem um tostão
A lei te vigia, bandido infeliz
Com seus olhos de raios X

Se vives nas sombras
freqüentas porões
Se tramas assaltos ou revoluções
A lei te procura amanhã de manhã
Com seu faro de doberman

Se pensas que burlas as normas penais
Insuflas, agitas e gritas demais
A lei logo vai te abraçar infrator
com seus braços de estivador

E se definitivamente a sociedade
só te tem desprezo e horror,
E mesmo nas galeras és nocivo,
és um estorvo,
és um tumor
A lei fecha o livro,
te pregam na cruz
depois chamam os urubus.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

emportés par la foule qui nous traîne.

eu tenho medo de sentir saudade.

eu não quero,

não
quero.

eu quero dormir de novo sob o barulho da chuva
não me importar com segundas chuvosas
não ter janela.

eu quero mais a bahia, mais curitiba
mais de me sentir acolhida
quente, plena, salva.

quero minha paz de volta
minhas noites de sono
minha vida de antes.


e é isso,
chove lá fora
e eu desespero aqui dentro.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

good morning america!

-alô..



-oi, é que eu preciso falar.



-oi, então fala.





...





-tá, não precisava falar?



-é, eu preciso. mas não consigo.



-como assim? fala de uma vez...



-hum, é que..então, eu sou uma idiota.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

bad mood

e vai entender!

'- bom dia pra quem?'

'-vaza.'


pro dia nascer feliz.
o mundo inteiro acordar, e a gente dormir.
dormir

domingo, 12 de julho de 2009

câimbras.

Porque eu gosto mesmo é das coisas complicadas.

Digo que não gosto, fujo, mas não adianta. quando vejo, lá estou eu entre elas.

Só as complicadas. será alguma relação metafísica que a minha aura atrai por conta das cores tão carregadas que exterioriza?

A cor da insatisfação é vermelha. eu posso sentir.

Ela incomoda e atrapalha, feito tudo o que agride aos olhos quando buscamos a serenidade dos tons pastéis.
.

Insatisfação a gente ameniza com alienação.

Também se atenua viajando para o âmago de si e resgatando a solução. Só que demora mais.



Eu causo câimbras.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

e chove

Se alguém tiver a resposta do sentido da vida, me manda por telegrama, por favor.

pelo menos preciso saber se o legado da gente é pessoal, intransferível e contabilizado na porta do além ou se paga-se o que se deve e tchau. niguém fica sabendo.

Porque viver nesse mundo é pra louco.

Quem resolve ficar por aqui tem que receber um troféu de insanidade absoluta.

Mesmo repetindo incansavelmente que não temos tempo para mais nada, para a demência sempre há tempo. Porque ela surge no banho, no minuto de bobeira, ao desligar o telefone, no esperar um arquivo de foto ser carregado em um email qualquer, na fila do subway (a fila interminável do fast food mais irritante que eu conheço).

Cada mania que adquirimos, cultivamos e aprimoramos nessas horas vagas é o que me aflige. Eu hoje concluí pela 18a. vez que possuo uma espécie de transtorno psíquico que me impede de manter contato físico com as pessoas. evito o approach pq tenho um distúrbio ou tenho um distúrbio porque evito o approach?

Eis que o fato é: eu não gosto de encostar nas pessoas. E eu tenho dificuldade de olhar pra elas. Me parece invasão. (pensando agora, minha tentativas de ser campeã de truco sempre me frustaram pq eu não sei olhar e piscar. invasivo demais)

No dia seguinte eu esqueço e volto ao normal - ufa, voltamos ao normal.
é como as vezes que a gente se pergunta porque faz certas coisas, ou porque comprou aquela blusa xadrez rosa que te deixa parecendo um palhaço!
é o minuto de bobeira.

Tão comum no cotidiano. Mais do que a gente se dá conta.

odeio chuva. odeio olhar pra fora da janela e me deparar com ela.